Em 17 de dezembro de 1961, Niterói (RJ) entraria para a história de forma trágica. Naquele domingo, o Gran Circo Norte-Americano havia montado sua estrutura na região central da cidade e atraía milhares de famílias para a tradicional sessão da tarde.
O espetáculo seguia normalmente diante de uma arquibancada lotada, principalmente por crianças, quando o fogo começou a se espalhar pela lona do circo. Em poucos minutos, as chamas avançaram rapidamente sobre a estrutura inflamável, provocando correria, fumaça intensa e desespero entre o público.
Sem tempo para reação, a maioria das pessoas correu em direção à saída principal. O acesso estreito acabou se transformando em um ponto de congestionamento enquanto pais tentavam encontrar os filhos em meio à multidão. Muitos sobreviventes relataram que a fumaça dificultava a visão e a respiração dentro do circo.
Algumas pessoas conseguiram escapar rasgando partes da lona ou procurando saídas improvisadas. Outras ficaram presas no avanço do fogo. Do lado de fora, moradores tentavam ajudar no resgate dos feridos enquanto ambulâncias, caminhões e até carros particulares passaram a transportar vítimas para hospitais da cidade. A fumaça podia ser vista de diferentes pontos da Baía de Guanabara.
Nas horas seguintes, Niterói entrou em estado de emergência. Hospitais ficaram lotados, filas de voluntários se formaram para doação de sangue e equipes médicas passaram a trabalhar sem interrupção. Estudantes de medicina, enfermeiros, escoteiros e moradores participaram do atendimento aos feridos.
Entre os profissionais mobilizados estava o médico Ivo Pitanguy, que anos depois apontaria o incêndio como um dos episódios mais marcantes de sua carreira. O Hospital Antônio Pedro tornou-se um dos principais centros de atendimento, realizando centenas de curativos diariamente nos dias seguintes ao incêndio. Na época, a Ponte Rio-Niterói ainda não existia, e muitos médicos atravessaram a Baía de Guanabara de barco para ajudar no socorro às vítimas.
Os números exatos nunca foram totalmente esclarecidos, mas estimativas da época apontam cerca de 500 mortos, a maioria crianças. O caso teve repercussão internacional e mobilizou campanhas de ajuda em diferentes regiões do país. Sessenta e quatro anos depois, fotografias, relatos de sobreviventes e registros hospitalares ainda ajudam a reconstruir a dimensão do incêndio que transformou uma tarde de espetáculo em uma das páginas mais dolorosas da história brasileira.
