Os Trens Blindados Paulistas na Revolução de 1932.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, São Paulo inovou ao utilizar trens blindados como estratégia militar para defender seu território contra as forças federais. Essas máquinas de guerra foram desenvolvidas em colaboração entre a Escola Politécnica de São Paulo, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e empresas ferroviárias como a Estrada de Ferro Sorocabana. O primeiro trem blindado, denominado Trem Blindado nº 1 (TB-1), foi projetado pelo engenheiro francês Clèment de Baujaneau e construído sob a supervisão do engenheiro Augusto Ferreira Velloso. Composto por uma locomotiva a vapor e um vagão blindado, o TB-1 era equipado com metralhadoras Hotchkiss de 7 mm e potentes holofotes para operações noturnas. Sua estreia ocorreu em 26 de julho de 1932, na cidade de Buri, onde conseguiu retomar a cidade das forças federais. O sucesso do TB-1 levou à construção de novas unidades, como o TB-2 e o TB-3, que operaram na Frente Sul, especialmente na região de Buri. Esses modelos eram compostos por uma locomotiva e dois vagões blindados, posicionados à frente e atrás da locomotiva, equipados com metralhadoras Hotchkiss de 7 mm e canhões Krupp ou Schneider de 75 mm nas extremidades. A blindagem era composta por peças de madeira de faveiro de alta resistência revestidas por grossas chapas de aço. A tripulação era formada por até 18 pessoas, sendo 15 soldados e 3 responsáveis pela operação do trem. Na Frente Norte, destacou-se o TB-6, o maior e mais potente dos trens blindados paulistas. Construído nas oficinas da Estrada de Ferro Central do Brasil, no bairro do Brás, em São Paulo, o TB-6 contava com três vagões blindados e uma tripulação de cerca de 40 homens. Equipado com metralhadoras leves Hotchkiss, metralhadoras pesadas Schwarzlose e um canhão de 75 mm, o TB-6 atuou em combates nas regiões de Resende, Itatiaia, Queluz, Cruzeiro e Lorena. Após o término do conflito, em outubro de 1932, o governo federal determinou o desmonte dos trens blindados paulistas. As locomotivas foram restauradas para uso civil, e os vagões blindados foram desmontados. Atualmente, poucas relíquias desses trens permanecem, como os holofotes do antigo TB-3, preservados na estação ferroviária de Buri, servindo como memória da engenharia militar paulista durante a Revolução Constitucionalista.
Trem Blindado nº 4 (TB-4) da Cia Mogiana, construído no final de julho de 1932 nas oficinas de Campinas e que operou nos sangrentos combates de Eleutério, no município de Itapira, ao longo de agosto daquele ano. Elementos da 1ª Cia do Batalhão Paes Leme integram sua primeira guarnição, posteriormente substituídos por tropas do Regimento Esportivo e do Regimento 9 de julho. O comandante da primeira guarnição do blindado era o tenente Gabriel Mendes da Silva, que é o oficial na foto apoiado com o cotovelo na locomotiva, que semanas depois foi comissionado capitão e assumiu o comando da 3ª Cia do Batalhão. Na foto, vê-se também os dois maquinistas (um dos quais, o sr. Augusto da Silva Lisboa, que é o primeiro em pé, à esquerda, vestindo paletó e gravata) e os dois foguistas do blindado, além de um dos engenheiros da Cia Mogiana. Identificados ainda o sargento Theotônio Lara (de óculos, sentado e vestindo casaco escuro) e o soldado Arnaldo Laurindo (em pé, segurando o fuzil). Fonte das informações: Museu da Imagem e do Som de São Paulo. O Trem Blindado nº 6, "O Fantasma da Morte", em setembro de 1932.
TB-5 em Mogi Mirim durante a revolução constitucionalista de 1932.
Uma das frentes do blindado, onde se pode ver o canhão 75mm.
O TB-6, "O Fantasma da morte", estacionado a frente da estação de Guaratinguetá, em setembro de 1932.
O TB-1, primeiro trem blindado paulista, com sua tripulação posando diante da primeira grande máquina de guerra de São Paulo, na cidade de Itapetininga, SP.
Um dos vagões do TB-4 recém concluído.

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