Ilha dos Amores: O Jardim Encantado de São Paulo em 1881.

No trecho que passa por São Paulo, o Tamanduateí é hoje um rio poluído e tem qualidade péssima, segundo a Cetesb. Era bem ali que ficava uma ilhota ajardinada onde os paulistanos passeavam nos anos 1870 e 1880. A ilha dos Amores foi um pedaço de terra que sobrou no meio do rio após sua primeira retificação (alinhamento). Ficava próxima da rua 25 de Março e mantinha um quiosque de comidas e bebidas, um espaço de descanso e uma casa de banhos muito útil em tempos sem água encanada.

"Digamos que era como um Ibirapuera em termos de lazer", compara o pesquisador Jorge Eduardo Rubies, da Associação Preserva SP. Claro que observadas as devidas proporções: o censo de 1872 registrava pouco mais de 31 mil habitantes em São Paulo. Segundo o jornal “A Província de São Paulo” em sua edição de 18 de maio de 1877, a ilha era mesmo uma coisa de outro mundo. A Ilha causava no visitante “ uma admiração extraordinária pelo charme dos caminhos sinuosos, pelas fontes de água cristalina e, acima de tudo, pelas roseiras e pelos canteiros de ervas, com um verde tão delicado que parecia ter sido plantado por fadas naquele lugar encantado, onde tudo exalava poesia”.
Mais tarde, a ilha acabou abandonada. As chuvas que a alagavam parcialmente foram parte do motivo. Por fim, não sobreviveu à segunda retificação do Tamanduateí, no início do século XX e acabou desaparecendo para sempre da paisagem de São Paulo.
Fonte: Mapas Antigos de São Paulo.
Revitalização: E.F.M.

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