O Mercado Municipal de São Paulo, conhecido como Mercadão, é um dos marcos históricos e culturais da capital. Inaugurado oficialmente em 25 de janeiro de 1933, o espaço teve sua origem décadas antes, ainda no século XIX. O primeiro mercado da cidade surgiu em 1867, na Várzea do Carmo, próximo ao Rio Tamanduateí. Era um local simples, com comércio informal e infraestrutura precária. Conhecido como “Mercado dos Caipiras”, funcionava em meio a condições sanitárias deficientes e sem planejamento urbano.
Com o avanço populacional e a presença crescente de imigrantes, surgiu a necessidade de um novo centro de abastecimento. Em 1924, a Prefeitura aprovou a construção de um edifício moderno. As obras, no entanto, só começaram quatro anos depois, em 1928, durante a gestão do prefeito José Pires do Rio. O projeto arquitetônico ficou a cargo do escritório Ramos de Azevedo, responsável por obras como o Theatro Municipal e a Pinacoteca do Estado. As fachadas foram desenhadas por Felisberto Ranzini. Já os vitrais, que retratam o transporte e a produção de alimentos, são de autoria de Conrado Sorgenicht Filho, o mesmo artista responsável pelos vitrais da Catedral da Sé. No total, são 32 painéis distribuídos por 72 vitrais, em uma área de mais de 12 mil metros quadrados.
Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o prédio recém-construído foi usado como depósito de armas e munições. Parte dos vitrais foi danificada por tiros de treinamento. Após o conflito, o edifício passou por ajustes e foi oficialmente aberto ao público no aniversário da cidade, no ano seguinte. Com quase um século de história, o Mercadão segue sendo um ponto de encontro entre tradição, gastronomia e cultura popular paulistana.
Foto: Mercado dos Caipiras, em meados de 1870. Revitalização: E.F.M.
Foto: Construção do Mercado Municipal década de 1930.

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