Martinelli: O gigante que ensinou São Paulo a olhar para o alto.

Quem passa apressado pelo centro de São Paulo talvez nem perceba. Mas ali, entre as ruas São Bento, Líbero Badaró e a avenida São João, está um dos prédios mais importantes da história da cidade: o Edifício Martinelli.
Hoje ele pode parecer só mais um no meio de tantos, mas há quase 100 anos foi o primeiro arranha-céu da capital. E mais do que isso, foi o retrato de uma São Paulo que começava a se transformar, a deixar o jeito de cidade pequena para virar metrópole.
Tudo começou com um italiano chamado Giuseppe Martinelli. Ele chegou ao Brasil para trabalhar e acabou se tornando um empresário bem-sucedido. Queria construir algo grandioso, que mostrasse que São Paulo estava de olho no futuro. E construiu.
O projeto era do arquiteto húngaro William Fillinger.
A obra começou em 1924, mas logo foi embargada. Diziam que o prédio era alto demais e poderia cair. Martinelli não desistiu. Para provar que o edifício era seguro, fez um apartamento no último andar e passou a morar lá com a família. Um gesto corajoso e simbólico.
O prédio foi crescendo. Em 1929, ainda inacabado, foi inaugurado parcialmente com 12 andares já em funcionamento. Em 1934, foi concluído com 30 andares e 105 metros de altura, o mais alto da América Latina naquela época. Era um marco da engenharia e da ousadia.
Feito com materiais importados, como mármore italiano, louças inglesas e elevadores suíços, o Martinelli era sinônimo de luxo. Tinha hotel, cinema, escritórios, consultórios e salões onde a elite da cidade se reunia para dançar, conversar e fazer política.
Mas o tempo passou. Durante a Segunda Guerra, o prédio foi tomado pelo governo. Depois foi leiloado. Vieram os anos de abandono, degradação e insegurança. Na década de 1970, chegou a ser interditado. Só voltou a ganhar vida depois de ser reformado pela prefeitura e tombado como patrimônio histórico em 1992.
Hoje o Martinelli segue de pé. É possível visitá-lo e ver a cidade lá de cima, do alto do terraço. Mesmo quem não conhece toda a sua história sente que ali existe algo especial. Um prédio que foi feito para ser símbolo, e que ainda hoje carrega esse papel.
O Martinelli é a lembrança de um tempo em que São Paulo começava a se reinventar. E também é a prova de que, às vezes, sonhar alto faz toda a diferença.
Foto: Edifício Martinelli, São Paulo, década de 1930.
Revitalização: E.F.M.

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