Em 25 de junho de 1918, o Brasil presenciou um fenômeno curioso e encantador: a cidade de São Paulo parecia coberta de neve. No entanto, o que realmente aconteceu foi um evento raro, registrado pelo meteorologista José Nunes Belford Mattos em sua caderneta de observações, na estação meteorológica da Avenida Paulista, um dos pontos mais altos da cidade, ainda cercada de Mata Atlântica.
Naquele dia, a cidade estava envolta por uma forte neblina, e, de repente, o que parecia ser neve se formou rapidamente. Mas, ao contrário do que muitos pensaram, não era neve. O fenômeno foi causado pela sublimação do nevoeiro: a água passou diretamente do estado gasoso para o sólido, criando cristais de gelo finos, semelhantes à "poeira de neve" que vemos em geladeiras antigas. A quantidade de água era tão pequena que a condensação consumiu o vapor d'água em minutos, e o céu ficou bem azul.
Os termômetros marcavam 3,0°C negativos a 2 metros do solo e no chão certamente a temperatura era bem menor. Como estava muito frio, este gelinho não derreteu ao tocar o solo criando uma camada branca e dando um aspecto europeu à cidade. O fenômeno durou pouco, o gelo não resistiu ao sol da manhã.
Para os meteorologistas, a neve é uma precipitação que se forma dentro das nuvens, mas, naquele dia, não havia nuvens visíveis sobre São Paulo. Portanto, apesar do encantamento dos moradores, o fenômeno de 1918 não pode ser classificado como neve técnica, mas como um raro e fascinante exemplo de sublimação.
Fonte: Clima Tempo
Foto: Antigo observatório da Paulista
Foto: Página do registro meteorológico realizado em 25 de junho de 1918.


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