Era a década de 1940, e São Paulo ainda carregava a elegância de quem crescia sem pedir licença, mas com certa poesia no passo. A Avenida São João, nessa época, não era só uma via larga que cortava o centro, era um palco.
Os prédios ainda baixos se enfileiravam com orgulho, como se estivessem conscientes de fazer parte de algo maior. O asfalto recém-assentado refletia luzes tênues de postes altos, e os bondes passavam como se dançassem nos trilhos, acompanhando o ritmo de uma cidade que se descobria metrópole.Havia uma cadência diferente no ar. Homens de chapéu apressavam os passos com o jornal debaixo do braço, senhoras observavam vitrines como quem contempla promessas, e os cafés espalhavam cheiro de conversa boa misturado com fumaça de cigarro. Tudo era movimento, mas não havia pressa.
A imagem daquela São João congelada no tempo não guarda apenas memórias; revela, com suavidade, a essência de momentos que passaram, mas que ainda vivem em cada detalhe da cidade.
Foto: Postal Colombo
Revitalização: E.F.M.
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