Era março de 1967, e Caraguatatuba, tranquila cidade do Litoral Norte paulista, enfrentava dias de chuva intensa. As encostas da Serra do Mar começaram a ceder silenciosamente, preparando-se para um desastre que mudaria para sempre sua história.
Na manhã de 18 de março, uma avalanche de lama, pedras e árvores avançou com força devastadora, soterrando ruas, casas e vidas. O rio Santo Antônio transbordou, expandindo seu leito de 40 para quase 200 metros, arrastando tudo que encontrava pelo caminho. Famílias inteiras desapareceram, engolidas pela enxurrada que transformou o cenário em um mar de destruição.
Naquele momento, a cidade tinha pouco mais de 15 mil habitantes. Aproximadamente 500 pessoas perderam a vida e cerca de 3 mil ficaram desabrigadas. O trecho da Rodovia dos Tamoios desmoronou, isolando Caraguatatuba e tornando impossível qualquer acesso por terra.
O silêncio e o desespero tomaram conta. Não havia energia elétrica, nem comunicações, e o cheiro de lama e madeira úmida dominava o ar. Mas, mesmo em meio ao caos, a solidariedade surgiu: os primeiros socorros foram organizados pela própria comunidade e, posteriormente, reforçados pelo governo, incluindo o Exército.
A tragédia evidenciou a vulnerabilidade da região e motivou a criação da Defesa Civil Estadual, dedicada a prevenir e coordenar ações em desastres naturais. Em meio à devastação, Thomaz Camanis Filho, morador e rádio amador, improvisou uma transmissão de emergência conectando seu equipamento a baterias de automóvel.
Sem energia e com a cidade isolada, ele enviou um pedido de socorro em código internacional S.O.S. A mensagem foi captada por uma embarcação na costa, que a retransmitiu à Delegacia dos Portos, em Santos. Foi o primeiro sinal de vida vindo de Caraguatatuba após o desastre.
A partir dali, as autoridades puderam organizar o resgate, e a história da tragédia ganhou repercussão nacional, mobilizando doações e voluntários de todo o país. Em homenagem a Thomaz, a cidade deu seu nome à Praça Thomaz Camanis Filho, também conhecida como Praça do Rádio Amador, localizada no bairro Jardim Primavera.
Por: Evandro Felix Marcondes.
Foto: Folhapress/1967
Acervo: Arquivo Municipal de Caraguatatuba "Arino Sant'Ana de Barros".



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