A iluminação pública a gás foi introduzida no Brasil em 1854, por iniciativa de Irineu Evangelista de Sousa, o visionário Barão de Mauá. A novidade teve início no Rio de Janeiro, então capital do Império, substituindo gradativamente os lampiões a óleo de baleia, utilizados desde o século XVIII. Em São Paulo, a iluminação a gás chegou em 1863, começando pelos arredores da Catedral da Sé, no coração da cidade. Nos anos seguintes, o sistema se espalhou por outras capitais brasileiras, transformando a paisagem noturna.
Com o novo método de iluminação, surgiu uma profissão essencial, a dos acendedores de lampiões. Ao final da tarde, esses trabalhadores percorriam as ruas munidos de suas ferramentas para acender manualmente os bicos de gás, poste por poste. Ao amanhecer, voltavam ao serviço para apagar as chamas, limpar os vidros e realizar a manutenção dos equipamentos.
Nas noites de lua cheia, quando a claridade natural era suficiente para iluminar as ruas, o trabalho dos acendedores era dispensado. As primeiras experiências com luz elétrica no Brasil ocorreram em 1879, na estação ferroviária Central do Brasil, no Rio de Janeiro, o primeiro edifício do país a receber iluminação elétrica. No entanto, a eletricidade só começou a se expandir de forma consistente pelas ruas e residências a partir de 1906. Durante décadas, os sistemas de iluminação a gás e elétrica conviveram simultaneamente nas cidades brasileiras.
Foi apenas na década de 1930 que os últimos lampiões a gás se apagaram definitivamente. No Rio de Janeiro isso ocorreu em 1933 e, em São Paulo, em 1936. Com eles, extinguiu-se também a profissão de acendedor de lampiões, um ofício que iluminou não só as ruas, mas também um importante capítulo da nossa história.

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