Quando a Rede Manchete decidiu fazer diferente.

A Rede Manchete entrou no ar em 1983 sem a intenção de ser apenas mais uma emissora. Criada por Adolpho Bloch, nasceu grande e com uma ideia clara: disputar espaço apostando em qualidade. Em um cenário dominado por formatos tradicionais, a Manchete resolveu correr riscos.
Essa escolha ficou evidente na dramaturgia. Pantanal mudou o olhar do público sobre novela ao levar a câmera para fora dos estúdios e transformar a paisagem em personagem. Xica da Silva veio depois, provocativa e popular, em sintonia com a identidade da emissora. Foram sucessos que chamaram a atenção do mercado e mostraram que havia espaço para outra forma de fazer TV aberta.
O problema é que ousadia custa. A conta não fechou. Manter estruturas sofisticadas, produções complexas e uma grade ambiciosa revelou-se inviável no longo prazo. A morte de Bloch, em 1995, escancarou essa fragilidade. Sem o fundador, a emissora perdeu direção e fôlego ao mesmo tempo.
O fim veio em 1999, com a transferência das concessões e o nascimento da RedeTV!. Foi um encerramento silencioso para um projeto que sempre se destacou pelo contraste. Ainda assim, a Manchete não desapareceu da memória do público nem das discussões sobre televisão no Brasil.
Hoje, em um mercado fragmentado e pressionado por novas plataformas, a experiência da Rede Manchete continua atual. Talvez não como modelo a ser repetido, mas como referência de um período em que a televisão aberta buscou caminhos diferentes.
Por Evandro Felix Marconsdes.
Imagem: Repodução Internet


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