18 anos da maior tragédia da aviação brasileira em São Paulo.

Às 18h48 do dia 17 de julho de 2007, um Airbus A320 da TAM, vindo do Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre, ultrapassou os limites da pista do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, durante o pouso, atravessou a área de escape e colidiu com um prédio de cargas da própria companhia aérea, na Avenida Washington Luís. O acidente deixou 199 mortos, entre passageiros, tripulantes e 12 pessoas em solo, tornando-se a maior tragédia da aviação civil brasileira.
Naquele momento, Congonhas operava sob condições críticas. A pista estava molhada devido à chuva e passava por obras, ainda sem as ranhuras transversais conhecidas na aviação como grooving, que aumentam o atrito e facilitam a frenagem das aeronaves. Após tocar o solo, o avião não conseguiu reduzir a velocidade, atravessou toda a extensão da pista e atingiu o edifício de cargas, provocando um incêndio de grandes proporções.
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos Cenipa apontou que o acidente foi resultado de uma combinação de fatores, incluindo falhas operacionais, limitações estruturais do aeroporto e decisões tomadas na operação do voo. Um dos pontos destacados foi a composição da tripulação, formada por dois comandantes, em vez do esquema tradicional de comandante e copiloto.
A investigação também ressaltou a atuação da Agência Nacional de Aviação Civil ANAC, recém-criada na época, que demorou a implementar regras mais rigorosas para pousos e decolagens em Congonhas, especialmente em dias de chuva. Quanto à fabricante Airbus, foi constatado que a aeronave não emitiu alertas aos pilotos sobre a configuração inadequada dos manetes durante o procedimento de pouso.
Mesmo com as recomendações de segurança e mudanças na aviação brasileira após o acidente, o caso não gerou condenações criminais. Até hoje, 18 anos depois, ninguém foi formalmente responsabilizado, mantendo a tragédia como um episódio doloroso da história da aviação nacional.
No local do impacto existe hoje um memorial que preserva a memória das vítimas. Discreto, ele se integra à rotina da cidade, lembrando diariamente o episódio que expôs fragilidades do sistema aéreo brasileiro.
Por Evandro Felix Marcondes.

Foto: Bombeiros resgatam corpos de vítimas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, que causou uma explosão no terminal da companhia, no Aeroporto de Congonhas em São Paulo.
Fonte: Agência Brasil
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