Em 20 de janeiro de 1906, São Paulo foi palco de um dos episódios mais chocantes de sua história política. Francisco de Assis Peixoto Gomide, então presidente do Senado estadual, matou a própria filha Sophia, de 22 anos, dentro do casarão da família no centro da cidade e, em seguida, cometeu suicídio. O crime abalou a elite paulistana e rapidamente ganhou as manchetes dos jornais.
Segundo relatos, Gomide atirou contra Sophia e ainda ameaçou outra filha, Gnesa, mas foi contido por uma empregada antes de apontar a arma contra si. Em seguida, cometeu suicídio, encerrando o episódio de forma trágica.
O crime teria sido motivado pela rejeição do noivado de Sophia com Manuel Baptista Cepelos, poeta e promotor público em Itapetininga. Inicialmente, Gomide havia aceitado o noivado, mas pressões sociais e críticas sobre a origem humilde e o passado boêmio de Cepelos o fizeram recuar.
Abalado, Cepelos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde viveu afastado da carreira jurídica e passou a vender livros de porta em porta. Nove anos depois, em 1915, ele tirou a própria vida ao saltar de uma pedreira na Lapa, encerrando uma história marcada por dor e sofrimento.
Hoje, o nome P. Gomide ainda identifica uma rua em São Paulo. No entanto, segundo informações do portal G1, as vereadoras Silvia, da Bancada Feminista (PSOL), e Luna Zarattini (PT) apresentaram o Projeto de Lei nº 0482/2025, que propõe renomear a via, localizada nos bairros Bela Vista e Jardim Paulista, para rua Sophia Gomide.
O projeto defende que a mudança busca reparar uma injustiça histórica e resgatar a memória de Sophia Gomide, vítima do homicídio cometido por seu pai. “A proposta visa dar visibilidade a Sophia, que foi esquecida e silenciada na história”, declararam as vereadoras. O episódio permanece como um dos capítulos mais sombrios da política paulista.
Por Evandro Felix Marcondes
Fonte: Aventuras na História
Portal G1

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