Muito além da cerveja: o papel da Antarctica no crescimento de São Paulo.

Em 1885, no bairro da Água Branca, em São Paulo, surgia um empreendimento que começaria de forma simples: um abatedouro. A cidade ainda crescia entre chácaras, fábricas e ruas de terra, longe da metrópole que se formaria nas décadas seguintes.
Em 1888, o negócio mudou de rumo com a entrada de Louis Bucher, filho de cervejeiros alemães e já proprietário de uma pequena fábrica. A partir desse momento, a produção de cerveja passou a ganhar escala industrial. Em 1891, a empresa foi oficialmente constituída como Companhia Antarctica Paulista, marcando o início de sua consolidação no cenário econômico.
Com o crescimento da fábrica, a influência da Antarctica ultrapassou o ambiente industrial. A companhia esteve ligada à consolidação de espaços que marcaram a vida urbana da capital, como o Parque Antarctica, o Cine Central, o Cassino Antarctica, o Theatro Polytheama, o Cine Bijou e o Bosque da Saúde. Esses locais ajudaram a movimentar o lazer e a sociabilidade em uma cidade que ainda buscava definir seu perfil moderno.
A presença da empresa também se refletiu na área social. Estão nesse contexto o Hospital Santa Helena, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a Escola Vocacional Antarctica, a Escola Técnica Antarctica e a Fundação Helena Zerrenner, instituições vinculadas ao ambiente empresarial e ao atendimento de trabalhadores e comunidades próximas ao complexo fabril.
Assim, a Antarctica não foi apenas uma fabricante de bebidas. Sua trajetória se entrelaça com o processo de expansão urbana de São Paulo no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX.
Por Evandro Felix Marcondes.
Fonte: BBC News Brasil
Foto: Cartão-postal de 1909 registra pessoas próximas ao bonde no Parque Antarctica, em São Paulo.
Acervo: Folhapress


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