A região entre Bananal (SP) e Barra Mansa (RJ) teve papel estratégico no ciclo do café em meados do século XIX, período em que o Vale do Paraíba concentrava parte significativa da produção nacional. O transporte até a Corte, na cidade do Rio de Janeiro, era feito por caminhos precários, principalmente por tropas de mulas, o que encarecia a logística e limitava a expansão econômica.
Com o avanço da cafeicultura e a necessidade de maior eficiência no escoamento, produtores da região propuseram, em 1870, a construção de uma ferrovia ligando Bananal a Barra Mansa. O projeto, conhecido inicialmente como Ramal Bananalense, surgiu em um momento de expansão da malha ferroviária brasileira, impulsionada pelo capital agrário e pelo interesse em integrar áreas produtoras aos principais centros comerciais e portuários.
A linha começou a operar de forma gradual, com registros de circulação já na década de 1880, sendo oficialmente inaugurada em 1º de janeiro de 1889. O ramal desempenhou papel relevante no transporte de café e de passageiros, contribuindo para a dinâmica econômica regional durante o final do século XIX e início do século XX.
Ao longo das décadas seguintes, acompanhando o processo de reorganização do sistema ferroviário nacional, a linha passou ao controle da União em 1918, sendo incorporada à Estrada de Ferro Oeste de Minas. Posteriormente, em 1931, foi integrada à Estrada de Ferro Central do Brasil, uma das principais operadoras ferroviárias do país à época.
A desativação do trecho ocorreu em 1964, refletindo o declínio do transporte ferroviário em regiões onde o modal rodoviário passou a predominar. A antiga estação de Bananal, fabricada na Bélgica e posteriormente montada no Brasil, possui cerca de 335 metros quadrados de área e é considerada um exemplar incomum da arquitetura ferroviária. O edifício foi tombado em 1969 pelo Condephaat, consolidando seu valor histórico.
Ao longo do tempo, a construção teve usos variados e passou por períodos de abandono e tentativas de preservação. Ainda assim, permanece como um dos principais marcos da memória ferroviária do Vale do Paraíba, diretamente associado ao ciclo do café e ao processo de modernização dos transportes no Brasil.

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