As primeiras ocupações humanas no arquipélago de Ilhabela são anteriores à chegada dos europeus ao Brasil. Pesquisas arqueológicas realizadas desde o fim da década de 1990 indicam que pelo menos quatro ilhas já eram habitadas em período pré-colonial, com base em vestígios encontrados em diferentes sítios arqueológicos.

Entre esses registros estão os concheiros, além de abrigos sob rocha e áreas interpretadas como antigas aldeias indígenas. A análise desse material permitiu identificar os primeiros habitantes da região como grupos de pescadores-coletores do litoral, que dependiam exclusivamente dos recursos naturais, sobretudo os marinhos, sem prática de agricultura ou produção de cerâmica, embora a datação desses sítios ainda não esteja definida.

Na Ilha de São Sebastião, há também expressiva presença de cerâmica associada à tradição Itararé, relacionada a populações do tronco linguístico macro-jê. Até o momento, não há evidências arqueológicas de ocupação por grupos do tronco tupi no arquipélago.

O contato europeu ocorreu em 20 de janeiro de 1502, durante expedição comandada por Gonçalo Coelho, com a presença do cosmógrafo Américo Vespúcio. Segundo o relato do viajante Hans Staden, a ilha era conhecida pelos indígenas como Maembipe, associada a trocas comerciais e ao resgate de prisioneiros. Os portugueses a batizaram como São Sebastião, em referência ao santo do dia. Há ainda registros do nome Ciribaí, interpretado como “lugar tranquilo”.

A ocupação colonial se consolidou com a chegada de Francisco de Escobar Ortiz, apontado como o primeiro ocupante europeu da ilha de São Sebastião. Ele recebeu terras concedidas por Pero Lopes de Sousa e se estabeleceu na região com sua família, após deixar a capitania do Espírito Santo. Registros indicam que foi responsável pela implantação dos primeiros engenhos de açúcar na ilha.

A partir de 1608, o território passou a receber novos sesmeiros, com ocupação progressiva das margens do Canal de São Sebastião. O processo resultou na criação da Vila de São Sebastião em 1636, desmembrada da Vila do Porto de Santos.

Nos séculos seguintes, a região passou por sucessivas mudanças administrativas. A antiga Vila Bela da Princesa surgiu no início do século XIX, inicialmente como freguesia subordinada a São Sebastião, sendo elevada à condição de vila e instalada em 1806. Em 1901, alcançou status de cidade com o nome de Vila Bela.

Na década de 1930, perdeu autonomia ao ser incorporada novamente a São Sebastião, retomando o status de município em 1934. Poucos anos depois, em 1938, passou a se chamar Formosa. O nome Ilhabela foi oficializado em 1944, junto à criação dos distritos de Cambaquara e Paranabi.

Desde então, o município mantém sua estrutura formada por três distritos, configuração que permanece inalterada até hoje. As informações constam no histórico disponibilizado pela Câmara Municipal de Ilhabela.

Por Evandro Felix Marcondes
Fonte: Portal IBGE
Portal Câmara Municipal de Ilhabela.