Durante décadas, a voz de Gil Gomes foi reconhecida imediatamente pelo público brasileiro. Grave, arrastada e carregada de personalidade, tornou-se uma das marcas mais fortes do jornalismo policial no rádio e na televisão.
Cândido Gil Gomes Júnior nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, em 13 de junho de 1940. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo e cresceu no bairro da Mooca. Na infância, enfrentou problemas de gagueira. Para superar a dificuldade, passou a imitar locutores esportivos que ouvia pelo rádio. O exercício acabou ajudando a desenvolver a voz que mais tarde se tornaria sua principal marca.
Aos 18 anos, começou a trabalhar como locutor esportivo na Rádio Progresso. Depois, passou por outras emissoras até chegar à Rádio Marconi. Foi em 1968 que sua carreira tomou um novo rumo. Durante uma entrevista com políticos, Gil Gomes soube que havia ocorrido um caso de agressão sexual no prédio onde funcionava a emissora. Ele interrompeu o trabalho e foi até o local para acompanhar o caso.
A cobertura ao vivo chamou a atenção dos ouvintes e marcou o início de sua trajetória como repórter policial. No rádio, construiu uma carreira marcada por uma maneira própria de narrar os acontecimentos. Sua voz grave, as pausas e a forma de criar tensão durante os relatos fizeram com que suas reportagens se diferenciassem do padrão tradicional da época.
Também passou pela Rádio Bandeirantes, onde ganhou destaque como repórter policial. Durante o período da ditadura militar, relatou ter sido preso diversas vezes por causa de reportagens que desagradavam às autoridades. Em 1991, Gil Gomes passou a integrar a equipe do Aqui Agora, do SBT. O programa adotava uma linguagem popular e uma abordagem diferente daquela predominante nos telejornais tradicionais.
Foi nesse período que o jornalista se tornou conhecido em todo o país. As camisas de cores fortes, os gestos característicos, a voz grave e as pausas durante a narração formavam um estilo único. Seu modo de fazer televisão acabou sendo imitado por humoristas e outros profissionais, reforçando ainda mais sua popularidade.
O Aqui Agora saiu do ar em 1997, mas a carreira de Gil Gomes continuou. Depois do SBT, passou por emissoras como TV Gazeta, Record e RedeTV!, além de continuar ligado ao rádio em diferentes momentos. Em 2005, foi diagnosticado com a doença de Parkinson. Em 2018, morreu em decorrência de um câncer de fígado.
Gil Gomes morreu em São Paulo, em 16 de outubro de 2018, aos 78 anos. Foi um dos mais conhecidos repórteres policiais da história do rádio e da televisão brasileira. Seu modo de falar, sua presença diante das câmeras e sua maneira de narrar os acontecimentos fizeram dele um profissional impossível de ser confundido.
Para uma geração, bastava ouvir aquela voz para saber quem estava falando. E essa é uma das maiores marcas que um comunicador pode deixar: permanecer na memória do público mesmo muitos anos depois de sua última reportagem.
