Na tarde de 2 de novembro de 1957, um Douglas DC-4 da Real Aerovias enfrentou uma emergência durante o voo entre São Paulo e o Rio de Janeiro. A aeronave havia partido de Buenos Aires com destino a Miami, com escalas previstas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Pouco depois de decolar do aeroporto de Congonhas, um dos quatro motores apresentou uma falha grave e pegou fogo.
A bordo estavam 30 passageiros e oito tripulantes. Diante do incêndio e das dificuldades para manter o controle da aeronave, a tripulação decidiu realizar um pouso de emergência no mar, diante da Praia da Baleia, em São Sebastião. As 38 pessoas a bordo sobreviveram.
O avião era o Douglas DC-4 de matrícula PP-AXS. Segundo relatos técnicos publicados posteriormente, a aeronave havia alcançado aproximadamente 3 mil metros de altitude quando os instrumentos indicaram uma queda na pressão de combustível do motor número 2.
Entre os ocupantes estava Heinz Eric, que viajava como tripulante extra e ocupava um dos assentos da primeira fileira. Ao perceber o incêndio, dirigiu-se à cabine de comando e avisou o comandante Dálvaro Ferreira Lima. Também estavam na cabine o primeiro-oficial Cavalcanti e o copiloto Muller.
Os extintores foram acionados, mas não conseguiram controlar o fogo. A tripulação tentou embandeirar a hélice do motor afetado, sem sucesso. Em seguida, o motor número 2 se desprendeu da aeronave. O incêndio também provocou problemas no sistema elétrico, deixando a tripulação sem condições de manter a comunicação pelo rádio.
Continuar o voo até o Rio de Janeiro deixou de ser uma opção segura. Naquele período, a Rodovia Rio-Santos ainda não existia e o acesso terrestre ao litoral norte paulista era limitado. Diante da situação da aeronave e da proximidade do mar, a tripulação optou por uma amerissagem.
O comandante Dálvaro Ferreira Lima conduziu o DC-4 em direção à Praia da Baleia. O tempo estava bom e o mar apresentava pouca agitação, mas a manobra continuava sendo de alto risco. A aeronave precisava tocar a água de maneira controlada para evitar uma colisão das asas com a superfície ou um impacto violento da fuselagem.
O DC-4 conseguiu realizar a amerissagem e permaneceu flutuando. O impacto provocou alguns ferimentos, mas não houve mortes. O comandante e um passageiro sofreram ferimentos leves, enquanto um dos tripulantes teve uma fratura na perna. Outro passageiro, que não usava o cinto de segurança, foi lançado contra a porta da cabine de comando.
Os ocupantes utilizaram coletes salva-vidas e deixaram a aeronave. Pescadores da região participaram do resgate. Nos dias seguintes, o avião e a carga foram retirados do mar. Os passageiros foram encaminhados para Santos e continuaram a viagem em outra aeronave da Real Aerovias.
Mais de seis décadas depois, a Praia da Baleia continua ligada ao acidente do DC-4 da Real Aerovias. Naquela tarde de novembro de 1957, um grande avião comercial precisou pousar no mar em uma situação crítica. Embora alguns ocupantes tenham ficado feridos, as 38 pessoas a bordo sobreviveram.
Fontes consultadas: Associação Brasileira de Ultraleves (ABUL), revista Flap Internacional, registros históricos de acidentes aeronáuticos e reportagens posteriores sobre o acidente.

